Um abraço eterno em você, viu, mãe?
Eu olhei a terra ardendo
Qual a fogueira de São João...

Sobre as cabeças, na fumaça desses aviões fenomenais
Sob mil pés, o terremoto de expansões industriais
É o progresso em nossa mão - viva a civilização!
Um abraço terno em você, viu, mãe?

Nas avenidas as buzinas gritam alto a nova explosão
Numa vitrine está à mostra seu novo tipo de coração
É o progresso em nossa mão - Viva a civilização!
Um abraço terno em você, viu, mãe?

É, mas eu não sei se esse ano vai chover ou não no meu sertão
Eu não sei se vou poder ficar ou pegar um caminhão
Meu Padim Ciço, minha devoção
Dê-me o seu braço imenso, sua proteção

É que eu não sei de nada, nada desse mundo seu
Eu só sei da vida crua que esse chão duro me deu
Meu cavalo aboio, minha sela e meu gibão
E o abraço terno de você, viu, mãe?

Entre as paredes acabadas dessa nova construção piramidal!
Minha sanfona geme rindo a alegria triunfa!
É  o progresso em nossa mão - Viva a civilização!
Um abraço terno em você, viu, mãe?

Eu olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João...
Viu, mãe? Viu, mãe?
 

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